CRÓNICAS DE ESCÁRNIO E MALDIZER! 08/03/10 13:07:39
Errata: onde se lê escárnio e maldizer deve ler-se cantigas de amigo
Esta crónica foi escrita em pleno voo de regresso do Rio de Janeiro em Março de 2009, pelo Capitão, sem saber que iria ser cronica, ainda em êxtase do relâmpago que lhe tinha atingido…
Francisco Almeida “Por Capitão Lafuria"
QUERO CASAR COM UMA CARIOCA E VIVER NO RIO
Foi finalmente depois de 10 anos de viagens que inesperadamente acabei por ir parar ao Brasil. Posso afirmar que só ter viajado agora até à terra do Vinicius de Moraes foi sem dúvida uma das burrices mais estúpidas que alguma vez fiz. Não sei o que me passava pela cabeça, talvez a necessidade de aterrar noutro planeta sempre que viajo, e por achar que o Brasil seria muito igual ao meu ou pelo simples facto de ter deixado de ver telenovelas desde o Roque Santeiro…
Pensando na verdadeira razão, procurando a verdade escondida, o verdadeiro fantasma que necessitava de aparecer, o profundo fundamento, descobri que era igual à dos outros todos mas inversamente! Tentem acompanhar-me…Ou seja, ir ao Brasil implica ter que falar com mulheres lindas sentir um espírito de descontracção invejável, ao mesmo tempo que altas ondas partem num dos melhores triângulos do mundo, e provavelmente com um dos melhores cenários do planeta, e tudo isto com trinta graus claro! Imaginem as gatas…digo as ondas.
Quero com isto assumir que foi por esta razão pela qual eu nunca tinha resolvido ir ao Rio – eu não queria nada disso – tinha namorada! E sempre me interroguei: o que iria lá fazer? Aquilo até diziam que não tinha ondas (outro dos grandes mitos estúpidos que pairavam na minha cabeça, só têm dois campeões do mundo…) Foi então num dia de Março que aterrei no Rio de Janeiro para então descobrir afinal se os meus medos eram reais ou se não passavam de simples histórias de quem é caçador de fotografias, esses ditos turistas que consomem monumentos e passeios combinados em grupo.
Pois é meus amigos, bem que tinha medo! Pois o acaso do destino (fica bem falar do destino, mas na realidade ela… ops, ele não teve nada a ver com isso…senão não seria acaso. Repararam no paradoxo, acaso do destino? Bem, voltando à conversa…) fez me engolir todas as idealizações estúpidas da minha cabeça e posso-vos dizer que a sensação foi a de chegar a casa pela primeira vez!
Posso agora já a frio ou no frio como preferirem, compreender o verdadeiro sentido do grito do Ipiranga que um tal português que de português descobriu que não tinha nada nesse dia deu, e porquê.
Imaginem serem o Rei de Portugal e embarcarem (fugiu fica mal) para o Brasil e nunca mais voltarem! Provavelmente o maior Português de sempre! Coitado do Salazar…
Fazendo jus ao meu primo José Cid, sim porque para quem não sabe ainda sou primo desse mito da musica se bem que muito afastado, que dizia numa entrevista que lhe fizemos durante o Genex, onde lhe perguntávamos se tinha um conselho para os jovens portugueses, para esta sedenta geração extreme, e que prontamente o génio português respondeu: - Jovens Portugueses querem trabalhar, emigrem para Espanha! Que sabedoria! Neste caso, aqui o primo só tem uma frase para vos dizer: - Portugueses querem viver, emigrem para o Brasil!
Vão finalmente descobrir afinal qual é o local para um dito português realmente viver, sim metam-se numa nau, arranquem e esqueçam essa treta de dizer que são portugueses que vivem em Portugal! porque em Portugal a única coisa que tem é telenovelas brasileiras! Imaginem chegar a casa e sentir esse sentido de pertença de que tanto se fala, num paraíso repleto de tradição portuguesa, neste caso a verdadeira tradição do português dos dias de hoje, sim aquele que gosta do calor e pegar onda, e vá umas gatinhas…”